Como servir meus talentos.

15-01-2021

Eu me lembro, que num café da manhã com meus pais, logo no início da pandemia e já percebendo as dificuldades para uma recolocação, além das minhas próprias incoerências, fechamos assim: "Se passarmos por isso vivos, significa que tivemos sucesso".Nem vou abordar a profundidade e paradigmas que essa fala tem, mas fato é que isso foi meu motivador.

A cada desafio, dificuldade e muitoooo perrengue, era nela que eu pensava, enquanto escolhi parar de ver notícias para não deixar o astral cair, e focar exclusivamente em mim e no meu processo pessoal e profissional, processo este que me fez em abril de 2019 escolher fazer um intercâmbio e ficar 8 meses fora do Brasil e iniciar minha transição de carreira.

Um dos objetivos foi avançar no inglês, mas não avancei o suficiente e isso foi um dos motivos por ser reprovada nas 106 vagas que me candidatei.

Também fui reprovada por não escolher o melhor cômodo da casa para uma entrevista, escolhi a cozinha. Um dos feedbacks mais claros que recebi foi que eu era ousada demais pra cultura da empresa.

Eu estudava sobre empreendedorismo, modelo de negócios, inovação, marketing digital, vendas, metodologias de desenvolvimento humano e qualquer assunto que fizesse sentido para me ajudar a resolver a incoerência que havia em mim.

O que eu quero da minha vida profissional, afinal?

Eu cheguei em 2020 com 2 possibilidades: me recolocar numa empresa ou numa consultoria. Pra quê?

Decidi nesse meio tempo como seria a minha empresa, estudar mercado, definir modelo de negócios, aumentar minha reserva financeira e executar o plano que havia definido.

Enquanto isso, meu networking me acionava para fazer mentoria de vida, de carreira, de liderança, eu topava! Teve processo remunerado com grana, teve processo pago com muito aprendizado, com conexão, insights e oportunidades para aprender na prática a fazer um MVP.

Ainda sem saber nada do que eu descobri ao longo de 2020, em abril fundei minha empresa, com CNPJ e tudo, era a única certeza: toda empresa tem que ter um CNPJ a minha vai começar com um.

A primeira nota fiscal só foi emitida em outubro, meu primeiro cliente pessoa jurídica, o serviço? Uma palestra sobre o desenvolvimento das mulheres para comemorar o outubro rosa. Eu comemorei!

Depois de muito quebrar a cabeça, estudar, experimentar, prototipar e ver minha reserva financeira acabar, eu me perguntava: Aonde isso vai me levar? Será que tudo isso vai adiantar alguma coisa?

Me levou a resolver a minha incoerência, a me apropriar da minha identidade de empreendedora e a começar a construção da mulher empresária.

Me levou a me apropriar como meus talentos e visão de mercado de desenvolvimento humano e organizacional resolvem o gap que temos de pessoas preparadas para lidar com o caos, a integrar negócios e gente, como através de metodologia, visão de mundo e consciência das necessidades humanas posso contribuir para um mundo com mais equidade para todos.

Porque seja como for, a desigualdade é um problema mundial e mudar isso passa por desenvolver individualmente uma consciência mais integrativa, colaborativa e sistêmica.

Eu sou uma mulher, que nasceu na periferia de São Paulo, sou mãe desde os 17 anos e senti na pele os desafios de ocupar meu espaço numa sociedade que ainda vê a maternidade como um limitador, para mim e tantas outras mulheres: um potencializador! Exaustivo sabemos!

Os filhos já foram motivos de reprovação na busca por um emprego.

E na mesma cozinha que eu fui reprovada em diversos processos seletivos, eu fundei minha empresa.

A jornada é intensa, dias bons e dias incertos, mas no processo natural de mudanças da vida, sigo a cada dia com o compromisso de servir meus talentos para resolver a fome que temos de equidade e tantas outras mudanças.  


Claudiane Teixeira